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Manufatura inteligente 2026

Manufatura inteligente em 2026: o que a Deloitte revelou sobre as empresas que estão ficando para trás

Uma pesquisa ampla raramente gera conclusões tão diretas quanto o estudo de manufatura inteligente da Deloitte publicado em 2025. Após ouvir 600 executivos de grandes empresas industriais com receita acima de 500 milhões de dólares e mais de 1.000 funcionários em setores que incluem bens de consumo, produtos industriais, automotivo, energia, mineração e farmacêutico, o estudo chegou a um número que merece atenção de qualquer gestor industrial: 92% dos executivos entrevistados acreditam que a manufatura inteligente será o principal motor de competitividade nos próximos três anos. Fonte: Deloitte Smart Manufacturing Survey, 2025.

Date

15 jul 2026

Category

Manufatura inteligente 2026

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5 min de lectura

Manufatura inteligente em 2026: o que a Deloitte revelou sobre as empresas que estão ficando para trás

Uma pesquisa ampla raramente gera conclusões tão diretas quanto o estudo de manufatura inteligente da Deloitte publicado em 2025. Após ouvir 600 executivos de grandes empresas industriais com receita acima de 500 milhões de dólares e mais de 1.000 funcionários em setores que incluem bens de consumo, produtos industriais, automotivo, energia, mineração e farmacêutico, o estudo chegou a um número que merece atenção de qualquer gestor industrial: 92% dos executivos entrevistados acreditam que a manufatura inteligente será o principal motor de competitividade nos próximos três anos. Fonte: Deloitte Smart Manufacturing Survey, 2025.

O que torna essa pesquisa relevante não é o consenso sobre importância, esse já existe há alguns anos. É o que os dados revelam sobre a distância entre quem está avançando de verdade e quem ainda está no estágio de intenção e pilotos isolados.


O que os números dizem sobre quem já entrega resultado

Os resultados tangíveis das empresas que avançaram na manufatura inteligente são consistentes: melhorias de 10% a 20% em produção, ganhos de 7% a 20% em produtividade de mão de obra e desbloqueio de 10% a 15% de capacidade adicional sem expansão de planta. Fonte: Deloitte Smart Manufacturing Survey, 2025.

Esses não são ganhos marginais. Para uma indústria que opera com margens apertadas, 10% a 20% de produção adicional com a mesma estrutura de custos fixos representa um salto competitivo real e mensurável.

As empresas que chegaram a esses resultados compartilham um padrão de investimento específico. 78% delas destinam mais de 20% do orçamento de melhoria a iniciativas de manufatura inteligente, e 88% pretendem manter ou aumentar esse nível de investimento no próximo exercício. Fonte: Deloitte, 2025.

A Deloitte também aponta que o futuro da fábrica será construído ao redor da tomada de decisão baseada em dados e de ecossistemas de produção conectados. Em vez de operar como unidades produtivas isoladas, as fábricas passarão a funcionar como redes digitais integradas que conectam equipamentos, trabalhadores e cadeias de suprimento em tempo real. Fonte: Deloitte Insights, 2026.


Onde estão os gargalos que travam o avanço

O estudo da Deloitte não é apenas otimista. Ele é preciso sobre onde as organizações travam, e o diagnóstico é revelador.

A principal preocupação citada por mais de um terço dos 600 executivos é a capacitação da mão de obra: equipar os trabalhadores com as competências e ferramentas digitais necessárias para operar em ambientes de manufatura inteligente. Fonte: Deloitte, 2025. Isso confirma o que a McKinsey descreve como a regra 80/20 da transformação tecnológica: 20% é tecnologia pura, 80% é transformação de processos e pessoas. A tecnologia para manufatura inteligente existe e está madura. O gargalo é humano e organizacional.

O segundo gargalo, igualmente relevante para o Brasil, é a qualidade e a integração dos dados. Sem dados confiáveis fluindo do chão de fábrica para os sistemas de análise, nenhuma das tecnologias de manufatura inteligente entrega o que promete. É o mesmo padrão que aparece em toda pesquisa relevante sobre adoção de IA industrial: a tecnologia avança mais rápido do que a base de dados que deveria sustentá-la.

No contexto brasileiro, esse desafio é amplificado pela prevalência de sistemas legados e pela fragmentação entre os sistemas operacionais do chão de fábrica e os sistemas de gestão corporativa. A convergência IT/OT que discutimos em profundidade em outros blogs é exatamente o trabalho de infraestrutura que antecede qualquer iniciativa de manufatura inteligente que vai funcionar de verdade.


O que as empresas mais avançadas estão priorizando

As empresas com maior maturidade em manufatura inteligente mapeadas pelo estudo da Deloitte concentram seus investimentos em uma sequência específica que explica por que avançam enquanto outras ficam presas em pilotos.

Primeiro, estruturam a base de dados: 40% das empresas mais avançadas priorizam analytics de dados como primeiro investimento, antes de qualquer tecnologia mais sofisticada. Dados sem qualidade geram análises sem valor. Fonte: Deloitte, 2025.

Segundo, conectam a operação física: 27% investem em IIoT (Industrial Internet of Things) como segunda prioridade, instalando a infraestrutura de sensoriamento que torna os dados do chão de fábrica acessíveis em tempo real.

Terceiro, incorporam inteligência: com dados estruturados e operação conectada, 29% investem em IA e machine learning sobre essa base já preparada, gerando os resultados de produtividade e eficiência que as empresas menos maduras tentam alcançar sem ter construído a fundação.

Essa sequência não é uma preferência metodológica. É o caminho que separa projetos de manufatura inteligente que entregam ROI mensurável dos que acumulam custos sem resultado visível.


IA física: o próximo passo da manufatura inteligente

O relatório 2026 Manufacturing Outlook da Deloitte introduz um conceito que os gestores industriais precisam ter no radar: a IA agêntica em serviços de pós-venda e manutenção. Agentes autônomos de IA que avaliam telemetria de equipamentos industriais, detectam uso inadequado, validam chamados e aprovam ou rejeitam solicitações de garantia de forma autônoma. Fonte: Deloitte Manufacturing Outlook, 2026.

Essa capacidade representa uma extensão direta do que o Gartner chama de IA física: a inteligência artificial saindo do software para habitar robôs, drones e equipamentos industriais conectados, otimizando operações de manufatura, logística e segurança operacional em tempo real. Fonte: Gartner Top Strategic Technology Trends, 2026.

Para empresas industriais brasileiras, esse é o horizonte que define a urgência do investimento agora: as que estruturarem a base de dados, conectarem o chão de fábrica e construírem software sob medida que integra essa infraestrutura estarão prontas para incorporar IA física quando ela estiver madura para escala. As que esperarem vão começar a corrida quando o campo já estiver tomado.

Na Appmoove, a software house mais completa do Brasil, o desenvolvimento de software industrial considera esse horizonte desde a concepção da arquitetura. Transformação com governança significa construir hoje o que vai sustentar as capacidades de amanhã, não precisar refazer a base quando a próxima onda tecnológica chegar.

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