McKinsey Global Tech Agenda 2026: o que os CIOs mais avançados estão fazendo diferente
A McKinsey publicou em fevereiro de 2026 um dos relatórios mais relevantes para líderes de tecnologia do ano. A , baseada em pesquisa com mais de 600 líderes de tecnologia e negócios ao redor do mundo, identificou um divisor claro que está separando empresas que crescem das que apenas sobrevivem.
Date
17 de jan. de 2024
Category
McKinsey Global Tech Agenda 2026
Reading time
5 min de leitura

A McKinsey publicou em fevereiro de 2026 um dos relatórios mais relevantes para líderes de tecnologia do ano. A Global Tech Agenda 2026, baseada em pesquisa com mais de 600 líderes de tecnologia e negócios ao redor do mundo, identificou um divisor claro que está separando empresas que crescem das que apenas sobrevivem.
A mensagem central é direta: a era da modernização incremental acabou. Estamos entrando na fase de "rewiring", uma reconfiguração profunda das empresas ao redor da inteligência. E os CIOs que estão liderando essa transição não estão apenas gerenciando tecnologia. Estão moldando o futuro das suas organizações.
O divisor que a McKinsey identificou
A pesquisa revelou que há dois grupos distintos de CIOs no mercado hoje, e a diferença entre eles não é de orçamento ou de acesso à tecnologia. É de mentalidade e de escolha estratégica.
O primeiro grupo está modernizando o parque tecnológico. Migrando sistemas para a nuvem, atualizando infraestrutura, implementando ferramentas de produtividade com IA. Essas são ações legítimas e necessárias, mas o relatório é explícito: elas posicionam a tecnologia como centro de custo mais eficiente, não como gerador de valor novo.
O segundo grupo está reconfigurando a empresa para construir vantagem competitiva. Para esses CIOs, tecnologia não é uma área de suporte. É o mecanismo principal pelo qual a empresa vai crescer. E a diferença nas decisões que tomam reflete exatamente essa distinção.
Nas empresas de alto desempenho mapeadas pela McKinsey, o centro de gravidade da tecnologia se deslocou de centro de custos para gerador de valor. Os CIOs dessas organizações sabem que é a velocidade da tecnologia, e não apenas sua eficiência, que vai impulsionar o crescimento.
Os três movimentos que os CIOs líderes estão fazendo
1. Implantando IA agêntica para redefinir como o negócio opera
O relatório posiciona a IA agêntica como o motor de crescimento mais promissor de 2026. CIOs visionários não estão apenas automatizando tarefas isoladas. Estão construindo sistemas em que agentes autônomos executam fluxos de trabalho completos, tomam decisões operacionais e liberam times humanos para atividades de maior valor estratégico.
O paradoxo identificado pela pesquisa é revelador: mesmo entre as empresas de alto desempenho, 1 em cada 4 admite que ainda não tem a base de dados necessária para escalar IA de forma segura e confiável. O entusiasmo com a tecnologia está avançando mais rápido do que a infraestrutura que a sustenta. E CIOs que negligenciam essa base estão construindo sobre areia.
2. Transformando dados em produtos que geram novas receitas
O segundo movimento que distingue os CIOs líderes é a monetização de dados. Não apenas usar dados para tomar melhores decisões internas, mas transformar a capacidade analítica e os dados proprietários da empresa em produtos e serviços que geram fluxos de receita inteiramente novos.
Isso se conecta diretamente com o debate sobre novos modelos de receita com IA: empresas que tratam seus dados como ativo estratégico, não apenas como registro operacional, estão criando vantagens competitivas que os concorrentes não conseguem replicar rapidamente. O CIO que entende isso não está apenas gerenciando a infraestrutura de dados. Está construindo um ativo de negócio.
3. Substituindo o planejamento anual por modelos de produto e plataforma
O terceiro movimento é organizacional. CIOs líderes estão substituindo o planejamento orçamentário anual por práticas ágeis que aceleram a inovação, como modelos baseados em produtos e plataformas, ciclos curtos de entrega com validação contínua e times com perfil de produto, não de sustentação.
Essa mudança é cultural tanto quanto técnica. Ela exige que o CIO construa credibilidade junto ao board para defender um ritmo de investimento diferente do tradicional, mostrando retorno em ciclos curtos em vez de projetos de longo prazo com entrega única no final.
O paradoxo dos dados que a pesquisa revelou
Um dos achados mais importantes da Global Tech Agenda 2026 é o paradoxo da base de dados. Empresas estão acelerando a implantação de IA agêntica, mas uma parcela significativa ainda não tem a fundação de dados que essa tecnologia exige para funcionar de forma confiável.
Para CIOs, isso significa uma prioridade que precede qualquer investimento em agentes ou modelos de IA: garantir que os dados da empresa estejam estruturados, acessíveis e de qualidade suficiente para alimentar as decisões autônomas que a tecnologia vai tomar. Dados fragmentados, inconsistentes ou presos em silos não são apenas um problema técnico. São o principal freio ao retorno de qualquer investimento em IA.
Esse ponto se conecta diretamente ao que discutimos em profundidade no blog sobre por que empresas investem em IA mas não conseguem escalar: a tecnologia está disponível, mas a base que a sustenta frequentemente não está. E resolver esse gap é o trabalho que precede, não que segue, a implementação.
O que isso significa para empresas brasileiras
O Brasil tem um contexto específico que torna a leitura da Global Tech Agenda 2026 ainda mais relevante. A IDC projeta investimentos em IA no país que devem superar 3,4 bilhões de dólares em 2026, mas a maturidade média das organizações brasileiras ainda está aquém do que seria necessário para capturar esse investimento em resultado real.
A janela de oportunidade existe e está aberta. Empresas que fizerem o movimento que a McKinsey descreve agora, do CIO gestor de tecnologia para CIO arquiteto de estratégia, terão uma vantagem estrutural sobre as que ainda estão no ciclo de modernização incremental.
Na Appmoove, o que vemos na prática confirma o diagnóstico da McKinsey: as empresas que mais avançam com IA são as que começam com clareza sobre o problema de negócio que querem resolver, não com a tecnologia que querem adotar. Essa inversão de ponto de partida é simples de descrever e difícil de executar sem um processo estruturado de diagnóstico e mapeamento.
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